Nós já falamos antes sobre a chegada do 4G no Brasil, e ele finalmente está entre nós, ainda que em fase de testes. A TIM conseguiu concluir as instalações da tecnologia 4G em tempo para a Copa das Confederações. A Vivo lançou seus planos de internet 4G em uma coletiva realizada no mesmo dia. A Claro foi a primeira a operar com o serviço no Brasil, seguida de perto da Oi. Nenhum destas ainda opera em todo o território nacional, nem todos os aparelhos já estão habilitados a usar a rede. O foco ainda é nas cidades que abrigarão a Copa das Confederações, bem como em alguns poucos smartphones. Mas o que existe de tão bom nessa tal de 4G?

Primeiro vamos comparar o 3G [tão criticado] com o 4G. Em termos de velocidade o padrão 4G, não se diferencia do 3G já utilizado em velocidades mínimas. Ambos atingem 1 Mbps, sendo que dificilmente o 3G ultrapassa a marca dos 2 Mbps. Mesmo após o rebaixamento da expectativa de velocidade, as redes 4G podem chegar a ser de 4 a 100 vezes mais rápidas que o sistema atualmente em uso. Inicialmente, para uma operadora poder anunciar que dispõe de uma rede 4G, é necessário que equipamentos usando o sistema atinjam velocidades de conexão entre 100 Mbps (em alta mobilidade) e 1 Gbps (em curto alcance da antena). Após o relaxamento das exigências da ITU [União Internacional de Telecomunicações] – uma vez que nenhuma operadora que vendia redes “4G” atendia esse requisito – o mínimo de velocidade aceitável no padrão é de 1 Mbps, com o máximo já obtido em torno dos 200 Mbps. Em média, as operadoras anunciam velocidades em torno de 5 Mbps como o esperado de suas redes 4G. 

A rede 4G opera em uma frequência distinta da 3G e, por isso, são necessárias antenas diferentes e que possam operar na faixa de 2,5 GHz, reservada pelo governo brasileiro para esse tipo de comunicação. As antenas 4G são mais baixas do que as 3G e possuem um sinal bem mais denso. Se uma torre 3G pode compartilhar o sinal com cerca de 60 a 100 telefones, a 4G aumenta em muito esse número: uma torre da nova rede pode servir de 300 a 400 pessoas, suportando muito mais usuários simultâneos. Em contrapartida, as antenas 4G fornecem uma cobertura menor, exigindo que mais antenas sejam instaladas para que o sinal se mantenha consistente.

Porém, ainda existe uma burocracia muito grande com relação à instalação de novas antenas. Para isso foi criada a Lei Geral das Antenas (Lei 5013/13), que tenta padronizar todas essas regras municipais e estaduais para instalação dos equipamentos. O projeto foi aprovado em fevereiro pelo Senado, mas ainda está aguardando tramitação na Câmara dos Deputados. Essa lei prevê, por exemplo, concessão automática para instalação de antenas  caso as prefeituras não se posicionem contra em até 60 dias.

O investimento em 4G no Brasil pode resultar em outro aspecto positivo: com a migração dos clientes mais exigentes para a nova rede, o 3G tende a ficar menos congestionado e ganhar um aumento no desempenho. Afinal, quanto menos pessoas estiverem conectadas a uma mesma célula, maior será a velocidade para tráfego de dados. Agora, só nos resta saber quanto tempo levará para que os preços dos planos de 4G diminuam. Isso deve acontecer à medida que a oferta e a procura pela nova rede aumentarem. Enquanto isso, ficamos na torcida para que o 4G se torne rapidamente o novo padrão de comunicação móvel no Brasil.

 –

Tags: , , , , , , , , ,


Deixe um Comentario